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sábado, 19 de novembro de 2016

Boi na fila do abate: mugidos e choro

Boi chorando antes de ser abatido
Boi chorando antes de morrer

Na seção ‘Polêmica‘, a revista Superinteressante de dezembro traz uma matéria contrária à matança de bois para o consumo humano. Primeiro por causa pela violência do abate, que começa muito antes,  a partir do confinamento. Para o abate, os bois ficam enfileirados. Antes de morrer, seus mugidos são frenéticos e desesperados. O boi chora, demonstrando total consciência do que acontecerá com ele. Portanto,  crime natural.
Segundo o blog Vegana: – “Ao entrar na sala do matadouro, o animal presencia por cerca de um minuto o que está sendo feito com seus companheiros, alguns já pendurados, alguns sendo fatiados em diferentes processos, seu sangue e suas tripas espalhados pelo chão da sala, relata quem já presenciou. Logo o animal tenta escapar, em vão. Está completamente cercado por barras de aço. Neste momento o animal sofre o processo que se chama “insensibilização”. No caso dos matadouros que estive visitando, esta insensibilização é feita com uma pistola pneumática, mas em muitos matadouros a insensibilização ainda é feita a golpes de marreta. A pistola pneumática dispara uma vareta metálica no crânio do animal, perfurando-o até o cérebro. Diz-se que este é um método “humanitário”, pois o animal não sofre dor e permanece desacordado por todo o resto do processo, mas a verdade é que não podemos saber se aquele animal de fato não sentiu dor. Certamente a pistola o torna imóvel, mas o animal não parece desacordado, apenas atordoado e impossibilitado de reagir. Algumas vezes, um mesmo animal precisa ser insensibilizado mais de uma vez, o que mostra que este não é um método “humanitário” nem indolor”.
Segundo porque o organismo humano leva cerca de três dias para digerir a carne. Após 24h, a carne  vermelha normalmente apodrece no estomago, já que não foi digerimos totalmente.
Do QI de Albert Einstein, ele disse certa vez: – “Na minha visão, a maneira vegetariana de se viver influenciaria de forma extremamente benéfica e positiva a humanidade”.
Eis a matéria da Superintesessante, assinado por ADAM SHRIVER -Filósofo da Universidade Washington em St. Louis, Missouri
A LUTA QUE OS VEGETARIANOS DEVERIAM ABRAÇAR
O vegetarianismo não conseguiu competir com o apetite do mundo por carne. Os animais estão mesmo condenados – só resta usar a ciência para que eles não sofram.
BILHÕES de animais vivem hoje confinados em fazendas onde estão destinados a sofrer. Não há uma razão nobre para este sofrimento – apenas os hábitos alimentícios da população mundial. Quando uma pessoa passa por um sofrimento físico contra a sua vontade, encaramos isso como um dos piores males que podem ser impostos a alguém. Com os animais, não deveria ser diferente. Estudos científicos mostram que o sofrimento deles é similar ao nosso. E, no entanto, é pouco provável que as pessoas deixem de comer carne simplesmente por boa vontade.
O consumo de carne no mundo só tem crescidô: o total por pessoa subiu mais de 50% desde os anos 60. E isso apesar dos esforços do movimento de preservação dos animais, que impulsionou o vegetarianismo a partir dos anos 70. Por isso, acredito que temos uma obrigação moral de criar uma geração de animais que não sofram. Ou seja: que não sintam dor.
Pessoas medicadas com morfina ou que sofreram danos em uma parte específica do cérebro (o córtex cingular anterior) dizem ainda sentir dor, mas não se incomodar com ela. É gente que preservou intacta a dimensão sensorial da dor – responsável por determinar se a dor é agura ou fraca, por exemplo – mas perdeu o que se chama de dimensão afetiva, ligada às sensações de desconforto e incômodo. Testes indicaram que o mesmo pode acontecer com ratos e macacos. Os animais conseguem responder a uma ameaça, como se retrair ao tomar um choque. Mas não parecem sofrer tanto: ratos que puderam escolher entre ficar numa sala clara (que eles odeiam) e ficar numa sala escura – mas sob choques  preferiram a segunda opção, apesar da dor.
Uma pesquisa recente mostrou que a engenharia genética pode livrar os ratos desse componente de sofrimento da dor. Graças às semelhanças entre os mamíferos, poderíamos desligar geneticamente a dimensão afetiva da dor também em animais como vacas e porcos. Não há obstáculo significativo a isso.
Algumas pessoas podem dizer que essa proposta viola o direito dos animais. No entanto, acredito que esse argumento perde força quando consideramos o pilar da minha idéia: as pessoas não vão parar de comer carne a ponto de liberar os animais do sofrimento. E aí, os defensores dos direitos de vacas, porcos e aves devem considerar dois cenários. No 1º, violamos os direitos dos animais. No 2º, violamos os direitos dos animais e ainda causamos o sofrimento deles. Se tivermos uma escolha entre essas duas opções, creio que não aparecerá uma acusação forte contra uma geração de animais que não sentem dor.
Alterar geneticamente não é o melhor a ser feito. Na verdade, é o mínimo que deveria ser feito. E muito melhor do que não fazer nada.
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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Deputado Fábio Garcia veta uma cooperação entre o Brasil e a União Européia para a pesquisa astronômica

Deputado do PSB veta importante projeto científico que seria de fundamental importância para o Brasil


A luta política parece gostar de primar pela mediocridade. Diante da possibilidade de participar de um projeto de pesquisa tecnológica, que estimula a indústria nacional a desenvolver equipamentos de grande valor agregado, um deputado prefere a quebra de um acordo internacional em vias de implantação. Sua argumentação é repisadamente antiga e reiteradamente falsa: não se deve investir em ciência de ponta porque há grandes problemas nacionais (entre os quais a "corrupção"). Se formos esperar para resolver todos os problemas nacionais antes de ousar participar de grandes projetos internacionais, estaremos condenados a ficar para sempre na rabeira das nações industrializadas. Não há, de fato, perspectiva de horizonte aos que apenas insistem em olhar a sujeira do próprio umbigo.
É, no mínimo, bizarro que um deputado do PSB avance para tentar derrubar o acordo que foi idealizado e costurado pelo ex-ministro Sérgio Rezende, do seu próprio partido, o qual foi durante anos responsável pela pasta de C&T ao longo dos governos petistas.
Aos que não sabem, o acordo de adesão do Brasil à ESO prevê que uma parte grande dos custos retorne ao país através de contratos na indústria civil. A Astronomia pode parecer uma "ciência do outro mundo", mas suas necessidades de equipamento são um estímulo constante ao desenvolvimento e elaboração de novas tecnologias de detetores, ótica, semicondutores, soluções de engenharia, entre outros. A ESO só faz contratos com empresas dos países membros, status que está sendo pleiteado pelo país.
O que é mais grave: a ESO já cede tempo aos pesquisadores brasileiros, nos termos do acordo, uma vez que as autoridades do governo desde 2010 acenaram com sua aprovação em diversas ocasiões. O cancelamento do acordo seria um

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Emir Sader: Com vitória de Cuba, vira-se a última página da Guerra Fria

Depende do Poder Legislador dos EUA o fim do bloqueio econômico contra Cuba


Bloqueio a Cuba
Painel em via que liga aeroporto ao centro de Havana. Governo jamais deixou de explicitar efeitos do bloqueio dos EUA à economia da ilha. Foto: Paulo Donizetti de Souza
Cuba e Berlim eram as duas esquinas mais tensas da guerra fria. A queda do muro tirou Berlim dessa condição. A normalização das relações entre Havana e Washington fará o mesmo com Cuba
Vira-se a última página da Guerra Fria, com vitória cubana
por Emir Sader, na Rede Brasil Atual
Cuba sempre considerou que um governo democrata em segundo mandato – quando já não depende tanto da colônia cubana na Flórida – era a maior possibilidade de que essa normalização se desse. Jimmy Carter não teve um segundo mandato. No final do segundo mandato de Bill Clinton, houve intensificação das ações terroristas contra Cuba – até com um avião jogando panfletos sobre Havana –, o que levou a que Cuba derrubasse um desses aviões, com a morte de dois tripulantes e, nos Estados Unidos, aprovação de leis ainda mais duras do bloqueio econômico.
Agora, intermediado por outros fatores – a prisão de um empresário norte-americano que levava materiais de comunicação a setores da oposição clandestina em Cuba e a campanha pela libertação de três dos cinco cubanos que ainda permaneciam nas prisões norte-americanas – confirmou-se a previsão: é um presidente democrata que protagoniza o restabelecimento das relações, no seu segundo mandato.
A ruptura de relações e o bloqueio, já há mais de meio século, eram instrumentos com os quais os Estados Unidos achavam que asfixiariam o então novo governo cubano. Havia um dogma até aquele momento segundo o qual “sem cota, não há país”. Isto é, se os Estados Unidos deixassem de comprar a cota de açúcar, o país faliria.
Quando os EUA suspenderam a compra do açúcar cubano, uma parte da burguesia do país trancou suas casas e foi para Miami esperar a queda do regime de Fidel Castro. Cuba sofreu duramente essas medidas. Todos os países da América Latina – com exceção do México, que manteve só relações diplomáticas com Cuba – fizeram o mesmo, rompendo relações com a ilha. Para qualquer compra que o país tivesse de fazer, teria de apelar para algum país europeu.
Cuba sofreu a tentativa de invasão de 1961, o cerco naval de 1962, uma enorme quantidade de ações de terrorismo, inúmeras tentativas de assassinato de Fidel, sanções econômicas que bloqueiam sua capacidade de desenvolvimento econômico. Mas conseguiu resistir.
Os Estados Unidos não contavam que a URSS os substituísse, comprando o açúcar cubano, além de fornecer o petróleo que Washington também deixava de entregar. A inesquecível imagem de um imenso navio soviético, com a foice o martelo, entrando no porto de Havana, era um gesto de audácia que começava a romper o bloqueio à ilha.
Com o passar do tempo, países da América Latina foram restabelecendo relações com o governo de Fidel, primeiro diplomáticas, depois comerciais, até que a situação se reverteu. Se Cuba havia estado isolada no começo do bloqueio, eram os EUA que passariam a estar isolados, de forma que nas votações da ONU de condenação do bloqueio, só contavam com o voto de Israel e de alguma ilha meio desconhecida do Pacífico; sendo a esmagadora maioria contra a posição de Washington. O isolador se tornava isolado.
Agora, ao mesmo tempo, Cuba consegue duas grandes vitorias: resiste ao bloqueio, rompe o bloqueio, não cede em nada frente às ameaças e ataques da maior potência imperial da história da humanidade, consegue o restabelecimento das relações diplomáticas, nos termos que sempre propôs – com o respeito entre iguais, como nações soberanas. E, ao mesmo tempo, consegue o retorno dos espiões cubanos que estavam presos nos Estados Unidos, condenados depois de serem descobertos em operações de investigações contra ações terroristas de anti-castristas da Flórida, com anuência de Washington.
Entre os temas das densas discussões que se desenvolverão a partir de agora, estará seguramente Guantânamo. Esse pedaço do território cubano apropriado pelos americanos quando desembarcaram em Cuba com o pretexto de pacificar o conflito entre a ilha e a Espanha, quando os cubanos estavam prestes a expulsar aos antigos colonizadores e se tornarem independentes. A apropriação de Guantânamo se deu no marco das sanções impostas pelos Estados Unidos à Espanha, junto com a incorporação das Filipinas e das Ilhas Gwan.
O que foi imposto como uma ocupação de um século, tornou-se permanente – diferentemente do Canal de Panamá, cuja soberania retornou aos panamenhos. Como a base militar de Guantânamo não tinha nenhuma importância, permanecia como presença soberba da potência imperial derrotada pelos cubanos. Até que mais recentemente tornou-se uma vergonhosa prisão fora de qualquer cobertura jurídica internacional para que os EUA procedessem aos selvagens interrogatórios e torturas que impuseram aos acusados – mesmo sem provas – de ações de terrorismo.
Agora não há nada mais que possa impedir que o presidente norte-americano transfira os mais de 160 presos que ainda permanecem lá, feche a base naval e devolva a Cuba o território que lhe pertence. Assim se terão normalizado totalmente as relações entre o país de Fidel e o de Obama.
Barack Obama teve de confessar que a estratégia norte-americana de tentar asfixiar a Cuba pelo bloqueio econômico e o assedio terrorista fracassaram. Os dois países voltam a ter relações diplomáticas, o imenso edifício voltado para Miami – na avenida costeira de Havana conhecida como Malecón – abrigará um novo embaixador dos Estados Unidos: e Cuba terá, no mesmo velho casarão, um embaixador no país vizinho.
Vira-se a última página da longa Guerra Fria do segundo pós-guerra. Talvez estejamos começando outra, com caráter e dimensões distintas, mas aquela agora está definitivamente terminada. E da melhor maneira possível para Cuba e para todos os que lhe apoiaram na luta contra o injusto bloqueio.
 Leia também:

http://jornalggn.com.br/blog/brasil-debate/reflexoes-sobre-a-desigualdade-de-renda-e-patrimonial-no-brasil

A degola de Cícero



http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/7-de-dezembro-de-43-ac-a-degola-de-cicero

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Centenário de nascimento de Diógenes Arruda Câmara


Na passagem do centenário de nascimento do grande brasileiro Diógenes Arruda Câmara, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) homenageia este destacado dirigente e construtor da legenda comunista.

Por Renato Rabelo*


  
No final da ditadura do Estado Novo, em 1943, Arruda esteve à frente dos organizadores da Conferência da Mantiqueira – conferência que colocou de pé a direção nacional do Partido, que fora desmantelada por feroz perseguição policial. Esse feito permitiu ao Partido Comunista do Brasil, então PCB, desempenhar um grande papel na luta contra o nazifascismo e pela reconquista da democracia em nosso país. Desde esta Conferência até 1957, ele assumiu, então, a importante Secretaria de Organização. Por isto, é impossível desassociar o seu nome das grandes vitórias do povo e do Partido ocorridas naquele período fértil da nossa história. O trabalho dele também foi decisivo ao sucesso do 4º Congresso (1954), que deu ao Partido o seu primeiro programa.

Décadas depois, entre 1978 e 1979, enfrentando outro regime de arbítrio – a ditadura militar –, Arruda atuou na organização da 7ª Conferência Nacional do PC do Brasil, realizada no exterior. Conferência que teve um papel fundamental na remontagem da direção do Partido, fortemente atingida pela Chacina da Lapa, ocorrida em 1976. João Amazonas sublinhava que Arruda era um dos melhores organizadores que o Partido teve.

Além de organizador do Partido, ele também se dedicou à formação política, ideológica e teórica dos militantes e dirigentes comunistas. Nesta frente de trabalho, incentivou a criação dos inúmeros cursos de marxismo-leninismo na primeira década de 1950, com destaque para os cursos Lênin e Stalin. Também criou as condições para que dezenas de brasileiros conseguissem estudar na Escola Superior do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) entre 1952 e 1956.

Após o golpe militar de 1964 ele continuou seu esforço na formação de quadros comunistas, especialmente jovens. Por onde chegava, logo tomava a iniciativa de organizar um curso de marxismo-leninismo, fosse na prisão (como no presídio Tiradentes), fosse no exílio dentro de uma embaixada estrangeira. Muitos conheceram Arruda dessa forma.

Na segunda metade da década de 1970 redigiu uma série de artigos para formação ideológica da militância, como “Ser Comunista: opção cotidiana”. Neles, disseminou valores de dedicação à causa revolucionária e ao Partido. Fidelidade que teve oportunidade de demonstrar nas duríssimas condições tanto no Estado Novo quanto na ditadura militar, quando foi preso e sofreu bárbaras torturas que abalaram seriamente sua saúde.

O documento do Comitê Central que sistematiza a trajetória de 90 anos de luta de nosso Partido apresenta o nome de Arruda entre os expoentes da segunda geração de comunistas, entre os quais também eram integrantes Luiz Carlos Prestes, Maurício Grabois, João Amazonas, Pedro Pomar, Carlos Marighella, Mário Alves, dentre outros.

Para homenagear Arruda, sua memória e seu legado, vamos destacar episódios de sua vida e contribuições de sua trajetória revolucionária.

A vida e militância de Diógenes de Arruda Câmara
Diógenes Alves de Arruda Câmara nasceu em 23 de dezembro de 1914 no pequeno município de Afogados de Ingazeira, sertão de Pernambuco. Um lugar marcado pela pobreza e pela violência. Viveu sua infância ouvindo histórias fantásticas de cangaceiros e suas lutas contra as volantes do governo. Arruda, pela vida toda, carregou consigo o espírito daquele menino sertanejo.

Em Recife passou a cursar engenharia e teve contato com a literatura socialista. Em 1934 se tornou militante do Partido Comunista do Brasil. Mudou-se então para a Bahia e matriculou-se em Engenharia Agronômica. Ali se transformou num atuante líder estudantil e comandou a campanha em defesa da siderurgia nacional.

Após o golpe do Estado Novo, Arruda passou alguns meses preso. Devido à sua combatividade e grande capacidade de organização, foi chamado a assumir o cargo máximo da direção estadual do PCB. Ainda na Bahia incentivou a criação da revista Seiva, que procurava articular todas as correntes democráticas e antifascistas no Estado.

Preso novamente, foi torturado durante dois meses e ficou mais oito meses incomunicável. O jovem dirigente comunista teve um comportamento digno, ganhando o respeito dos seus pares. Após ter sido libertado, transferiu-se para São Paulo com o objetivo de reorganizar o Partido, que fora desbaratado pela polícia.

No início de 1942 viajou à Argentina para restabelecer contatos com a Internacional Comunista (IC). A linha política aprovada era a de construir uma União Nacional, ao lado do governo Vargas, contra as potências nazifascistas e seus aliados. Arruda voltou ao país com essa diretiva e com a tarefa de apressar a reorganização do PC do Brasil. Procurou Maurício Grabois e Amarílio Vasconcelos. Juntos compuseram a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP). A ela se agregaram outros dois jovens comunistas: João Amazonas e Pedro Pomar. Eles formariam o núcleo principal da direção nos 15 anos seguintes.

A principal tarefa dessa comissão foi a organização de um Conferência Nacional do PC do Brasil – que foi realizada em 1943 e ficou conhecida como Conferência da Mantiqueira. Nela, Arruda foi eleito secretário nacional de Organização. Sinal do reconhecimento de seu trabalho naquele difícil processo de reestruturação do partido, ainda sob a ditadura varguista.

Diógenes Arruda, deputado federal (1947 a 1950) concede entrevista.
Com a conquista da anistia e o fim do Estado Novo, o Partido Comunista emergiu como uma poderosa força política nacional.

Nas eleições de 1947 elegeu-se deputado federal por São Paulo pela legenda do Partido Social Progressista (PSP). A candidatura por essa sigla se deu por uma flexão tática, fato que salvou o seu mandato, quando da cassação dos parlamentares eleitos pela legenda comunista em janeiro de 1948. Arruda ainda esteve ainda à frente da organização do 4º Congresso do PCB, realizado em 1954 – no qual ele apresentou o informe mais importante, que tratava do novo programa – o primeiro desde a sua fundação.

Arruda estava no auge do seu prestígio. Prova disso está no fato de o escritor Jorge Amado ter-lhe dedicado a trilogia Subterrâneos da Liberdade, na qual é um dos personagens mais significativos: o camarada André. Contudo, a partir de 1956, depois do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética que desencadeou a divisão no movimento comunista internacional e impactou os partidos comunistas do mundo inteiro, os papéis de Arruda e de outros dirigentes do PCB passaram por sobressaltos.

A partir desse episódio, o núcleo dirigente do PCB passou a ser duramente criticado nas reuniões do próprio Comitê Central. O principal alvo dos ataques foi Diógenes Arruda, secretário nacional de Organização.

Em 1957 Arruda, Grabois e Amazonas foram destituídos da Comissão Executiva do PCB em decorrência do embate que se estabelecera no âmbito do Partido entre a corrente revolucionária, da qual Arruda e seus camaradas já citados eram integrantes, e a corrente revisionista.

Entre 1961 e 1962, a crise interna agravou-se, levando à reorganização do Partido Comunista do Brasil, (que passou a adotar a sigla PCdoB), se confrontando com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Arruda manteve-se equidistante desse confronto. E tal situação se prolongou até as vésperas do golpe militar, quando começou a entrar em contato com o PCdoB.

Ele retorna então a seu antigo Partido, incorporando-se à terceira geração: a dos reorganizadores. Por volta de 1966 ele já compunha a direção do PCdoB paulista. Ficou responsável, entre outras tarefas, por dar assistência às bases estudantis. Foi quase um recomeço para um homem que já tinha 54 anos, dos quais 33 dedicados à construção do Partido Comunista.

Com o golpe, o cerco ia se fechando contra os comunistas e Arruda seria preso por agentes da Operação Bandeirante em novembro de 1969. Ele foi barbaramente torturado nos porões do DOPS e do Cenimar. Nas sessões de tortura teve duas paradas cardíacas, perdeu um dos pulmões e uma das vistas e teve seus dedos quebrados para que não mais pudesse escrever. Não disse uma só palavra que pudesse comprometer seus camaradas. Na sua defesa, diante da auditoria militar, declarou: “Sou dirigente comunista. Não presto contas senão ao meu partido e ao povo. Minhas ideias marxistas e minha honra têm maior valor que minha vida”.

Arruda foi libertado apenas em 21 de março de 1972. O partido sabia que uma nova prisão lhe seria fatal. Por isso, a direção solicitou-lhe que deixasse o país e fosse ajudar no setor de relações internacionais, colaborando na divulgação da Guerrilha do Araguaia que havia se iniciado.

Arruda foi para o Chile, presidido por Salvador Allende. Lá articulou com outros exilados a construção do comitê de solidariedade à luta do povo brasileiro. E, quando houve o golpe militar chileno, em 11 de setembro de 1973, Arruda, depois de ficar por cerca de um mês refugiado na Argentina, conseguiu asilo na França.

Arruda passaria a cuidar das relações com os partidos marxista-leninistas da Europa. Nessa condição visitou a Albânia, Itália, Suécia e Portugal – e, também, a China. Em Portugal deu grande contribuição para a organização do Partido Comunista Português Reconstruído (PCP-R) e da União Democrática e Popular (UDP).

Entre o final de 1972 e o início de 1973 foi destroçada a comissão nacional de organização do PCdoB – com a morte de Carlos Danielli, Lincoln Oest, Luiz Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque. A situação se agravaria ainda mais com a derrota da Guerrilha do Araguaia e o assassinato da maioria dos seus combatentes, inclusive seu comandante Maurício Grabois. Pouco tempo depois, em dezembro de 1976, caiu nas mãos da repressão uma reunião do Comitê Central, quando foram assassinados três de seus dirigentes nacionais: Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drummond.

O Partido Comunista do Brasil estava desafiado a se reestruturar novamente. Os dirigentes que estavam no exterior – João Amazonas, Arruda Câmara, Dynéas Aguiar e Renato Rabelo – começaram a restabelecer os contatos com os comitês que ainda resistiam no interior do país. Trabalho que em pouco tempo foi concluído. A 7ª Conferência reuniu-se na Albânia entre 1978 e 1979 e Arruda estava entre seus principais animadores.

Após a Chacina da Lapa, Arruda escreveu uma série de artigos sobre os deveres da militância comunista. Esses artigos, posteriormente, foram publicados em A educação revolucionária do comunista e cumpriram um grande papel na formação ideológica dos comunistas nos estertores da ditadura militar.

João Amazonas e Diógenes Arruda com Ramiz Alia, Enver Hoxha e outros comunistas albaneses no início de 1979
Outra característica de Arruda era sua grande preocupação com a formação teórica dos militantes comunistas. Sobre isso, anos mais tarde, disse Amazonas: “Onde Arruda chegava já estava pensando em fazer algumas palestras sobre problemas teóricos e, em pouco tempo, organizava um curso (...). Foi o camarada Arruda que iniciou os cursos Stalin (na década de 1950). (...) Eles jogaram um papel importante na formação dos quadros do nosso Partido (...). Depois, conseguiu que, na escola Superior do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, se realizassem cursos para os comunistas brasileiros. (...) Esse capital teórico que adquirimos foi fruto da atividade do camarada Arruda”. Na década de 1960, organizou uma série de cursos para os jovens estudantes comunistas em São Paulo. Também deu aulas de marxismo-leninismo no presídio Tiradentes. A mesma coisa fez no Chile, na Argentina e na Albânia para a pequena comunidade de comunistas brasileiros.

No exílio Arruda participou da luta pelas liberdades políticas e pela anistia no Brasil. Esteve presente e falou no Congresso Internacional pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita, realizado em Roma em junho de 1979. Em setembro desse mesmo ano, após a decretação da anistia, ele retornou ao Brasil e envolveu-se numa pesada agenda política. Ele percorreu vários estados defendendo a ampliação da anistia e a unidade da oposição contra a ditadura militar. A volta ao Brasil parece ter-lhe revigorado as energias. Mas os anos de perseguição e as torturas cobrariam o seu preço.

Zé Duarte, João Amazonas e Arruda quando Amazonas volta do exílio.
No dia 25 de novembro, Arruda organizava a recepção ao camarada João Amazonas que retornava do exílio. Ele estava muito ansioso. Nada poderia dar errado na chegada do principal dirigente do PCdoB. Quando o avião aterrissou no aeroporto de Congonhas, se colocou ao lado do velho amigo. A emoção e a tensão eram grandes naquele ambiente. Ainda dentro do carro que os levaria ao ato público, começou a passar mal. O coração sertanejo marcado pelas torturas não resistiu. Arruda estava morto.

O enterro acabou se transformando na primeira manifestação pública realizada pelo PCdoB. O caixão foi coberto por uma bandeira vermelha estampada com a foice e o martelo.

À beira do túmulo, Elza Monnerat – também recém-libertada – falou em nome dos comunistas brasileiros.
 

 “Juntamente com as flores da nossa saudade”, declarou ela, “deixamos o nosso adeus de despedida. Mas um adeus que é também um compromisso de honra. O compromisso de que, quaisquer que sejam as vicissitudes, levaremos adiante a bandeira que ele sempre defendeu. A bandeira do Partido, a bandeira do socialismo”.

Viva o Centenário de Diógenes Arruda Câmara!

São Paulo, 19 de dezembro de 2014

*Renato Rabelo é presidente do Partido Comunista do Brasil - PCdoB

sábado, 6 de dezembro de 2014

O risco Eduardo Cunha, líder com ramificações por toda a República

O risco Eduardo Cunha, líder com ramificações por toda a República
Ele mantém aliados às custas de doações de campanhas, é íntimo de setores do empresariado que defende com unhas e dentes e tem no currículo processos ainda em tramitação na Justiça
Por Hyda Cavalcanti, da Rede Brasil Atual | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ano de 2015 começará com um novo fator de risco nas costas da chamada base aliada do governo: o “risco Eduardo Cunha”, como tem sido chamado o período tenso que antecede a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro. O risco se dá não apenas para o governo, como também para alguns setores da oposição que têm pé atrás com o político de estilo agressivo e bem articulado que há anos figura como um dos mais poderosos do país. Cunha, líder do PMDB na Câmara e candidato ao comando da Casa, é um dos mais polêmicos a sentar na cadeira de deputado federal nos últimos tempos e foi o quinto mais votado do Rio de Janeiro, com 150.616 votos.
Declarações não comprovadas de colegas do mesmo estado são de que seus gastos de campanha teriam chegado a perto de R$ 9 milhões (embora tenha declarado R$ 6,8 milhões à Justiça Eleitoral). Talvez por isso seja defensor do financiamento privado de campanhas – considerado por muitos a principal raiz dos defeitos que atrapalham o atual sistema político e eleitoral brasileiro.
Cunha é alvo de processos judiciais por improbidade administrativa e crimes contra a ordem financeira e coleciona um sem número de desafetos. Parlamentares de seu estado, em conversas reservadas (e pelas costas, é claro) o tratam pelo apelido de “coisa-ruim”. Ao mesmo tempo, reúne uma espécie de “séquito” no Congresso, onde costuma ser chamado por colegas para opinar com antecedência sobre a votação de temas diversos e dar conselhos sobre as posturas a serem adotadas. Em parte por conhecer como poucos os meandros do Congresso. Em parte por ser um dos principais captadores – e distribuidores – de doações feitas por empresas ao PMDB. Motivos que já o levaram a bater de frente com Michel Temer, por diversas vezes, e até mesmo a disputar poder com o atual vice-presidente da República dentro do partido.
O estilo do líder peemedebista de fazer política foi alvo de inúmeras reuniões no Palácio do Planalto e nos gabinetes do anexo (sede da vice-presidência) por atitudes tidas como chantagem, durante sessões onde foram discutidas votações de matérias importantes – casos da Medida Provisória (MP) dos portos, que regulamentou o setor no país, e do Marco Civil da Internet. “Não há mais o que dizer sobre isso. Eduardo Cunha é oposição e precisamos apresentar um candidato para combater essa oposição, seja um nome do PT ou apoiando o candidato de outro partido”, afirmou o ex-líder do PT na Câmara, José Guimarães (PT).
Em tom mais indignado, o ex-ministro Ciro Gomes, atual secretário de Saúde do Ceará, já apresentou outra definição. “Esse cara deve ser assim, entre mil picaretas, o picareta mor. Eu conheço esse cara desde o governo Collor. Ele operava no escândalo do PC Farias na Telerj. Depois no fundo de pensão da Cedae (empresa de saneamento) do governo Garotinho e aí vem vindo. Depois com Furnas e agora está enrolado até o gogó em tudo quanto é quanto. É cara que banca seus colegas. Antigamente, o picareta achava a sombra, procurava ali o bastidor, ia fazendo as picaretagens escondido. Agora não. O picareta quer ser o presidente da Câmara”, afirmou Ciro Gomes em entrevista recente.
Collor e PC
Aos 56 anos, Eduardo Cosentino da Cunha tem trajetória incomum. Casado com a jornalista carioca Cláudia Cruz, pai de quatro filhos, formado em Economia, vinculado à bancada evangélica, é dono  da rádio evangélica Melodia FM, em sociedade com o deputado e pastor Francisco Silva (tido como guru que introduziu na política Cunha e Garotinho). Cunha começou em 1982, ao trabalhar para a campanha de Eliseu Resende, então candidato ao governo de Minas Gerais pelo extinto PDS. Em 1986, trabalhou para a campanha de Moreira Franco, que se elegeu governador do Rio. E em 1989, Paulo César Farias, tesoureiro de Fernando Collor, o convidou para fazer parte do estafe. Ele participou ativamente da campanha e em 1991 foi indicado para presidir a Telerj, extinta empresa de telefonia do Rio de Janeiro.
O jornalista Xico Sá, que acompanhou por muito tempo Paulo César Farias para suas reportagens, publicou em sua conta do Twitter que “era comum encontrar Cunha esperando PC no intervalo de reuniões”. O objetivo da indicação de Cunha na Telerj, onde ficou até 1993, foi preparar a empresa para a privatização, mas não foi bem assim que sua gestão ficou marcada. O Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou várias irregularidades.
Em 1999 ele foi subsecretário de Habitação do Rio de Janeiro e, pouco tempo depois, presidiu a companhia de habitação do estado (Cehab-RJ). Em 1994 filiou-se ao PPB, na ocasião aliado do ex-governador Anthony Garotinho, hoje deputado (PR-RJ), de quem tornou-se desafeto. Em 2003, migrou para o PP e no mesmo ano ao PMDB. Em 2002, foi eleito deputado federal.
Intrincadas relações
A movimentação de processos que têm Eduardo Cunha como parte é outro ponto nevrálgico de sua biografia.  No Supremo Tribunal Federal (STF) – para onde vão todas as ações que o envolvem, em razão de ter foro privilegiado – ele aparece em 22 processos: uns como autor, outros como réu. Alguns dos mais emblemáticos foram os inquéritos 2.123, 2.984 e 3.056, que apuraram crimes denunciados na época em que presidiu a Cehab. Envolvem casos de falsificação de documentos referentes a contratos da companhia que teriam levado ao arquivamento de processo no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TC-RJ).
Ocorre que alguns inquéritos com incompatibilidade entre informações bancárias de Cunha, obtidas pela quebra de sigilo pela receita federal, e a sua movimentação financeira, bem como bens e rendimentos declarados no período entre 1999 e 2000, o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, considerou, no início de 2000, que as provas eram insuficientes para levar as investigações à frente e pediu o arquivamento dos inquéritos. O que foi acatado em julho de 2004 por decisão colegiada do STF.
Num outro caso, a Corte se manifestou pela abertura de inquérito para a apuração de fatos denunciados pelo procurador geral do Rio de Janeiro, Roberto Monteiro Gurgel Santos: exames grafotécnicos teriam constatado falsidade de documentos e da assinatura de promotores públicos estaduais. Este último processo ainda não foi concluído. Os demais, também envolvendo o deputado, tramitam no mesmo tribunal e correm em segredo de Justiça.
Não é preciso pesquisa muito longa para descobrir alguns deles: inquérito do Tribunal Regional Federal da 1ª Região apura crimes contra a ordem tributária supostamente cometidos por Cunha; ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro; ação por improbidade administrativa movida pelo MP/RJ; representação movida pelo Ministério Público Eleitoral por captação ilícita de sufrágio; ação de investigação judicial eleitoral movida pelo MPE por abuso de poder econômico; e recurso contra expedição de diploma apresentado pelo MPE por captação ilícita de sufrágio.
Fundos de pensão
Também é bastante comentada a ligação do deputado com fundos de pensão de estatais. No caso de Furnas, por exemplo, a intimidade é relacionada ao órgão de previdência complementar Real Grandeza. Cunha ainda é acusado por adversários de ter imposto, em 2007, para a então ministra Dilma Rousseff, que comandava a pasta de Minas e Energia, o nome do ex-prefeito carioca Luiz Paulo Conde à presidência da Eletrobras. O deputado nega até hoje, mas a articulação, ou chantagem, como definem seus opositores, teria se dado da seguinte forma: ele era na época relator do projeto que pedia a prorrogação da CPMF e prometeu só apresentar seu parecer depois de confirmada a nomeação.
Na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, foi acusado pelo deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) de pressionar dirigentes de companhias de petróleo pela votação de matérias. E foi citado pela deputada estadual Cidinha Campos, no Rio de Janeiro, de ter feito em 2007 uma operação cruzada de venda e recompra de um imóvel em Angra dos Reis com o traficante colombiano Juan Carlos
Abadia. Eduardo Cunha também teve seu nome ligado a denúncias de desvio de recursos da Prece, fundo de pensão dos funcionários da Companhia de Água e Esgoto do Rio de Janeiro.
Como se não bastasse, foi noticiado pela imprensa seu suposto envolvimento com o doleiro Lucio Funaro, também investigado na CPI dos Correios, e participação em esquema de sonegação fiscal liderado pela Refinaria de Manguinhos, pertencente ao empresário Rogério Andrade Magro. Conforme ele costuma avisar, todas estas denúncias estão sendo discutidas judicialmente, em processos por calúnia e difamação. Já moveu 51 deles. Destes, em 28 perdeu em primeira instância, em três ganhou, enquanto os demais permanecem em tramitação. “É natural que quem se destaque incomode muita gente, mas todas as pessoas que inventaram inverdades pagarão por isso na Justiça. Se me atacam com mentiras, eu processo. O ônus da prova é de quem acusa”, afirmou.
Distribuição de recursos
Mas é na distribuição de recursos de campanha que a postura de Cunha mais atrai atenção. Informações de bastidores são de que o deputado atuou fortemente no sentido de formar uma espécie de “bancada própria”, com quem possa vir a contar na Casa, o que teria contribuído para o financiamento de campanha de perto de 30 deputados. Conforme dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele recebeu doações que passam pela indústria de mineração, bebidas, medicamentos e setor financeiro, tais como Rima Industrial (R$ 1 milhão), Vale (R$ 700 mil), ­CRBS, controladora da AmBev (R$ 1,25 milhão) e da Recofarma, fabricante da Coca-Cola (R$ 250 mil). Do setor financeiro, amealhou R$ 500 mil do Bradesco, R$ 500 mil do BTG Pactual, R$ 300 mil do Santander e R$ 50 mil do Safra. Além dos R$ 900 mil doados pela Telemont já mencionados, Cunha também recebeu mais R$ 700 mil da Líder Taxi Aéreo, R$ 500 mil do Shopping Iguatemi e R$ 300 mil da Rio de Janeiro Refrescos.
Criador no ano passado do “blocão”, grupo partidário que procura ser independente do governo nas votações do Congresso, o líder peemedebista afirmou que já conta com o apoio de 152 deputados à sua candidatura, integrantes do PTB, PR, PSC e Solidariedade (SD). “Há um grande entusiasmo com a candidatura dele e estamos trabalhando para garantir o apoio de todos do PTB”, confirmou o líder da legenda, Jovair Arantes (GO). “Acreditamos que se mantivermos o foco, ganharemos a eleição. Será muito bom para a Câmara ter um presidente independente do Palácio do Planalto”, completou o líder do SD. Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força. O atual presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), embora evite dar declarações, tem feito vários contatos em busca de votos para Cunha.
Nos últimos dias, porém, o peemedebista, que já afirmou que sua candidatura é “irremovível”, teve seu nome voltado para a mira dos holofotes, mas por outros motivos. Foi mencionado entre os parlamentares que teriam sido denunciados pelos investigados da Petrobras em delação premiada. Ele foi apontado por ter ligações com Fernando Soares, o Fernando Baiano, citado como operador do PMDB em esquema de propinas na estatal. Como sempre, destacou que não conhece Soares e caso as denúncias não sejam comprovadas, vai processar os responsáveis. Mas o desenrolar do caso pode vir a dar novos contornos à disputa pelo comando da Câmara. Até lá, Eduardo Cunha tem feito o que mais sabe fazer: articular e formar conchavos durante as votações dos itens inseridos na pauta do Congresso até o último dia do ano.
Trancador de pautasNo segundo governo Lula, Eduardo Cunha passou a exibir mais sua forma de trabalhar. Já havia sido presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e se comportou como aliado do Executivo durante a CPI que investigou o apagão aéreo. Ao mesmo tempo, começou a se destacar como nova liderança do PMDB. “Ele sabe como adiantar ou atrasar uma votação, articular de forma a atrapalhar os planos da base aliada e trancar a pauta”, contou um peemedebista que pediu para não ser identificado.
Na MP dos Portos, apresentou obstáculos e se reuniu com parlamentares para conseguir atrasar a apreciação. E no Marco Civil da Internet atuou a favor das empresas de telecomunicações tentando derrubar a neutralidade da rede.A Telemont, uma das empresas do setor de telecomunicações, operadora de sistemas de internet de banda larga, doou R$ 900 mil para sua última campanha. “Cunha atua como um lobista do setor privado dentro do Congresso”, afirmou outro parlamentar, do PTB. O deputado aparenta estar sempre bem informado. Durante reuniões das lideranças, tem por hábito se gabar sobre como votarão os deputados do PMDB em relação ao tema. Em geral, seu prognóstico se confirma.
Foi Eduardo Cunha um dos principais articuladores, em 2013, da manobra que levou o pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Casa, derrubando uma hegemonia de mais de dez anos por parte de parlamentares progressistas que atuam junto ao setor. A iniciativa provocou retrocesso na votação de projetos, fortaleceu a bancada evangélica e levou integrantes do PSC a terem dívida de gratidão com o líder peemedebista. Outro apoio que ele conta como certo é dos parlamentares ligados ao pastor Silas Malafaia, do PSC, com quem mantém boas relações. E, também, dos integrantes do Solidariedade, que já anunciaram voto nele para a presidência da Câmara.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Poder Legislador: Eleição custa R$ 1 bilhão


Campanha mais cara da história teve arrecadação 11% maior, em média, que dos últimos quatro anos

DA AGÊNCIA ESTADO, DE BRASÍLIA

Não há crise econômica, pelo menos não para os deputados e senadores eleitos. Seus comitês eleitorais arrecadaram R$ 200 milhões a mais do que os atuais parlamentares conseguiram juntar há quatro anos. A campanha dos novos 513 deputados federais saiu 34% mais cara. Já os novos 27 senadores arrecadaram 16% mais do que a média dos seus colegas que foram eleitos em 2010.
O resultado desse novo aumento do custo das campanhas é que, pela primeira vez, o Congresso Nacional angariou uma simbólica cifra de 10 dígitos para se eleger. Foram R$ 721 milhões arrecadados pelos deputados federais e R$ 124 milhões obtidos pelos 27 novos senadores. Somando-se os R$ 274 milhões gastos pelos 54 senadores eleitos em 2010 (eles têm mais quatro anos de mandato), o custo total chega a R$ 1,1 bilhão.
O custo para eleger os novos deputados e senadores cresceu 11% acima da inflação do período. Nunca houve um Congresso tão caro - mas essa constatação se repete a cada quatro anos. Se nenhuma reforma política sair do discurso para a lei, a tendência é que as campanhas de 2018 custem ainda mais do que esta. Foi assim em 2006 na comparação com 2002, e em 2010 em relação a 2006.
Os dados de 2014 foram compilados pelo Estadão Dados com base nas prestações de contas individuais divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet. Os dados corrigidos dos pleitos anteriores foram extraídos do site asclaras.org.br, organizado pela ONG Transparência Brasil.
Entre os candidatos ao Senado eleitos, Ronaldo Caiado (DEM) foi o terceiro que mais arrecadou na campanha. Ele recebeu R$ 9.622.085.
O deputado goiano Marcos Abrão Roriz (PPS) foi o oitavo deputado que mais arrecadou em 2014. Ele recebeu R$ 5. 526.036. Alexandre Baldy (PSDB) foi o nono que mais recebeu. Ele arrecadou R$ 5.485.143.
Quem paga
As empresas bancam a maior parte da fatura da eleição para o Congresso. Dos R$ 721 milhões arrecadados pelos deputados federais eleitos, nada menos do que R$ 553 milhões foram doados por pessoas jurídicas, o equivalente a 77% do total. Outros R$ 148 milhões vieram de pessoas físicas (as mais "generosas" delas são os próprios candidatos), e os R$ 20 milhões restantes foram financiados pelo Fundo Partidário – ou seja, o Tesouro.
Isso significa que, se o Supremo Tribunal Federal tivesse concluído o julgamento que deve proibir doações de empresas para campanhas eleitorais, R$ 3 de cada R$ 4 doados para os deputados em 2014 seriam ilegais. Porém, se e quando a decisão vier a ser publicada, ela não valerá para os recém-eleitos. Mas o Supremo Tribunal Federal estará criando um buraco de mais de R$ 500 milhões para os futuros deputados – fora senadores, governadores e presidente.
Esse deve ser o maior estímulo para os parlamentares aprovarem algum tipo de reforma nos próximos anos. Pode não chegar a ser uma reforma política de fato e ficar restrita ao financiamento de campanha, mas obrigará Câmara e Senado a discutirem o tema. Há chance de que esse custo venha a ser absorvido pelos cofres governamentais, por meio do chamado financiamento público.
Por enquanto, o dinheiro sai dos caixas de empresas como o frigorífico JBS (doou R$ 50,4 milhões a deputados eleitos e R$ 10,7 milhões para senadores), de mineradoras como as do grupo Vale (R$ 17,6 milhões no total), de empreiteiras como Andrade Gutierrez (R$ 12,8 milhões), OAS (R$ 13 milhões) e Queiroz Galvão (R$ 7,5 milhões), do setor financeiro como grupo Bradesco (20,2 milhões) e Itaú (R$ 6,5 milhões), e de fabricantes de bens de consumo popular, como a Ambev (R$ 11,7 milhões).
Há grande concentração nas doações de pessoas jurídicas. Os 67 maiores entre os 4.422 doadores doaram 50% de tudo o que deputados e senadores eleitos receberam de empresas. Ou seja, 1,5% dos doadores deu metade do dinheiro. A concentração aumenta o potencial de influência política dos grandes contribuidores.
Quem gasta
Os 36 deputados federais eleitos pelo PP foram os campeões de arrecadação na média por partido. Angariaram R$ 79 milhões, o que dá R$ 2,194 milhões per capita. Iracema Portella (PI), a que mais conseguiu doações entre os 513 eleitos, é mulher do presidente do partido, Ciro Nogueira – e puxou a média do PP.
O segundo grande partido em custo médio da campanha para a Câmara é o PSDB. Os 54 deputados tucanos eleitos arrecadaram, juntos, R$ 109 milhões, ou R$ 2,022 milhões por cabeça. O mais bem-sucedido deles foi Arthur Bisneto (AM), que conseguiu R$ 5,6 milhões em doações. Ele é filho do prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio (PSDB). O DEM aparece em terceiro lugar entre os maiores partidos e em quarto no ranking geral, com média de R$ 1,870 milhão por deputado. A seguir vem o PPS, com média de R$ 1,663 milhão.
Os 66 deputados do PMDB ficaram com a sexta maior média de arrecadação: R$ 1,6 milhão cada um. O peemedebista mais rico em doações foi o líder do partido - e favorito para presidir a Câmara em 2015 -, Eduardo Cunha (RJ). Ele angariou R$ 6,8 milhões e foi também o mais votado do PMDB.
O PT aparece em 10.º lugar no ranking de arrecadação média por deputado. Seus 70 eleitos formam a maior bancada da nova Câmara e arrecadaram, juntos, R$ 96,8 milhões, ou R$ 1,4 milhão cada. O destaque de arrecadação entre os petistas foi Carlos Zaratini (SP), que conseguiu doações no valor de R$ 6,232 milhões.
No Senado, o mais eficiente arrecadador de recursos foi o ex-governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB), com R$ 17,8 milhões arrecadados. Em segundo lugar ficou outro tucano: José Serra (SP), com R$ 10,9 milhões. E em terceiro, Ronaldo Caiado (DEM), eleito por Goiás, com R$ 9,6 milhões.

sábado, 27 de outubro de 2012

A série Marca D

Retirei do spin pq havia perdido os links

Marca D ou coisas D